Certamente que, para trabalhar numa delegacia, você não pode ser uma pessoa muito normal. A conduta de um indivíduo que aceita trabalhar além do horário de expediente sem hora extra, ganhando menos de três salários mínimos por mês e lidando com criminosos, aguentando desaforos o dia inteiro e continuando a fazer todo dia a mesma coisa é, no mínimo, questionável.
A dimensão da loucura é tanta que certa vez eu e uma outra escrivã intimamos a mesma pessoa para diferentes depoimentos. Acabei ouvindo o depoente primeiro e ela gritou, me xingou, dizendo que o intimado era dela. Quem entende?
Aqui tem de tudo.
Tem doido que não fala nada com nada. Tem aqueles que já são da família e que vem praticamente todo dia. Tem os que pedem esmola, os que trazem presentes.
Tem doido até que tem que ser preso, acredita?
Aquela doida veio na delegacia dizendo que era estudante de direito e queria um estágio. Atitude normal e compreensiva. O delegado recusou.
Depois de dois meses, apareceu novamente querendo recuperar um veículo, que segundo ela, estava apreendido. Todavia, não havia veículo nenhum. Então os intervalos das visitas passaram a ser cada vez menores.
Disse que precisava registrar um b.o. de furto da chave de sua casa, depois novamente procurou seu carro e veio com uma história que tinha presenciado um homicídio. Todos já sabiam que era mais uma figurinha não muito normal.
Quando as visitas passaram a se tornar diárias, não dava mais para relacionar os tantos motivos pelos quais a senhora vinha até a delegacia.
Finalmente, num dia qualquer, ela pediu para usar o banheiro do departamento de trânsito e a funcionária, muito educada, disse que não tinha problema. Ao sair do lavabo, a nossa quase membra da equipe senta-se numa das mesas e começa a folhear papéis enquanto fala ao telefone. Daí um dos detetives estourados entra na sala e começa a gritar com a funcionária, querendo saber sobre um veículo X.
Nessa hora, a senhora pede um minuto no telefone e grita: Ei, fala mais baixo porque está me atrapalhando!
O dois trabalhadores da depol se olham, e como se aquilo não bastasse, a louca ainda diz ao telefone:
- Pronto, agora pode continuar... É que tinha uma “poluição sonora” aqui...
O educado detetive fecha o cenho e começa a gritar ainda mais alto, indo até ela e dizendo que precisa sair da sala. A mulher não gosta, mas interrompe sua ligação e começa a gritar. Os dois trocam ofensas e mais e mais pessoas ficam curiosas para saber o que está acontecendo. Ele tenta algemá-la, mas toma golpes que provocam arranhões no seu rosto. Finalmente depois de muita insistência, consegue rendê-la, enquanto a dissimulada grita: Me soltaaa! Vocês não podem prender uma delegada de políiiiicia... socoooooro! Chamem meus advogados!
E a cena continua. Todos ficam pasmos. Até que ponto pode chegar a loucura e o que mais pode acontecer no meu dia-a-dia? Vivendo e aprendendo.
Familiares da nossa maníaca foram convocados a comparecer na delegacia em datas anteriores para que dessem um jeito naquilo, mas nada fizeram.
Depois ouvi boatos de que ela estava enlouquecendo de verdade por causa da separação com o marido, que era sujeito muito rico e que todos os seus bens foram interditados.
Depois de algumas horas, a sujeita é liberada e advertida para não mais frequentar a depol, enquanto o detetive ainda a encara com olhos furiosos.
Finalmente tudo fica bem e voltamos a trabalhar no hospício, quer dizer, na delegacia.
Passam algumas semanas e quem entra pela porta querendo saber sobre o paradeiro do seu filho desaparecido? A própria!
Ouça o que digo. Qualquer dia desses, vou acabar saindo daqui numa camisa de força e vocês vão ter notícia. Ba... be.... bi... bo... buuuuuu
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Delegacia... ou hospício?
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Sherlok Holmes do Interior
No fim de semana passado assisti ao filme do Sherlok Holmes, o lendário detetive da literatura inglesa. O filme é legal, com bons efeitos, deduções improváveis e alguns recursos pitorescos, mas ainda sim, conseguiu me divertir e deixar uma boa impressão sobre a história na antiga Londres.
No entanto, se você já leu algum dos meus textos, sabe que sou escravão e não detetive, certo? Que não tenho o mesmo tirocínio investigativo que o personagem de Holmes ou de outros ilustres colegas que trabalham nesta tão badalada delegacia.
Fato é que, alguns dias depois de ver o filme, recebi um sujeito para prestar depoimento semelhante ao personagem do filme por causa de suas deduções improváveis.
Era testemunha de um suposto abuso sexual. A denúncia relatava que uma mulher, vizinha desse sujeito, estava se prostituindo e oferecendo ainda sua filha, menor de idade, para indivíduos que também quisessem fazer um programa.
Interroguei a mãe e a garota, mas ambas relataram que o velho vizinho não gostava delas, sem motivos aparentes e que nada daquilo era verdade. A garota relatou que nunca teve relação sexual com ninguém e o mais sádico foi que ela começou a se autoflagelar com duas facas quando o conselho tutelar chegou em sua casa para esclarecer sobre os fatos.
Voltando ao interrogatório do velhote, este começou dizendo que as duas sempre conversavam com homens diferentes; QUE pelas conversas e assuntos, não ficariam só em beijinhos; QUE eram usados os quartos dos fundos para abafar os barulhos; QUE cada grupo de cliente permanecia cerca de duas horas no local, alternando entre dias sim e não.
Depois de tantos detalhes e deduções, quase perguntei: Então o crime ficou elementar, meu caro Whatson? (no maior estilo Holmes de investigar)
Só que aí o Sherlock resolve me dizer que não, que nunca viu a garota ou a mãe dela “transando propriamente” com os homens, mas que a casa ficava sempre muito cheia. QUE uma mãe solteira tinha que trabalhar e dar exemplo nos cuidados da filha (?). QUE era um absurdo ficarem conversando e fazendo “sabe lá Deus o que” com tantos caras daquele jeito; QUE ele trabalhava cedo e precisava dormir enquanto aquelas “putas” (conforme se expressou) ficavam gritando e ouvindo música alta a noite inteira.
Mas os gritos não eram de gemidos e a bagunça não tinha a ver com putaria. Precisei ter calma para explicar que naquele caso, cabia no máximo uma ocorrência de perturbação de sossêgo e que se continuasse instindo em acusá-las sem ter provas, seria indiciado por denunciação caluniosa.
Felizmente, minha testemunha não era um bom detetive. E eu consegui evitar que aquele boletim virasse inquérito, já que nem mesmo a própria garota relatou ser vítima. Não houve prova alguma capaz de dar continuidade nos fatos.
E tudo foi para o arquivo.
Na ficção, Holmes resolveria este e tantos outros mistérios, inclusive alguns que só acontecem em Brasília. Na vida real, continuamos dependendo de depoimentos, provas, prazos, e de mais um monte de burocracias. Melhor voltar para a realidade e trabalhar mais um pouco pra ver se coloco um pouco do serviço acumulado em dia.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Preso e quebrado
Numa dessas noites quentes de verão, um ladrãozinho resolveu usar “CRACK” e cometer mais um de seus tantos crimes. Subiu por um portão, escalou parte do muro e entrou por uma fresta da janela que estava aberta no segundo andar daquele edifício.
Revirou um cômodo aqui, umas gavetas ali, comeu um pudim que estava na geladeira e fez cocô no chão da cozinha (até aqui, tudo absolutamente normal para furtos em residências), momento em que resolveu pegar o celular da vítima que estava ao lado da cama e usar o objeto para iluminar dentro do guarda-roupas, na procura de objetos de valor.
A vítima narrou que acordou e gritou. O autor ficou assustado e foi em direção a sacada do prédio, pulando diretamente do segundo andar para a rua.
Ele me disse no seu depoimento que achou que conseguisse voar... Pois o “coitado” foi com tudo no asfalto e quebrou os dois braços, além de perder cinco dentes (algumas pessoas pensam nesta hora: uuuuuuu, bem feito!).
Pois o sujeito ainda conseguiu levantar e mancar até sua casa, onde acordou sua mãe e disse que estava morrendo.
Deram entrada no hospital. E a polícia foi chamada.
As vítimas compareceram no HPS e reconheceram o autor, sendo que lhe foi dada voz de prisão ainda na maca, sob gritos de intenso gemido e dor.
Mais interessante foi que um policial militar acompanhou o autor durante a radiografia e até mesmo quando ele teve os dois braços engessados.
De posse da fixa de atendimento médico, foi realmente curioso fazer meu primeiro apfd de uma pessoa impossibilitada de usar as mãos e que tinha sido presa no hospital. A mãe dele serviu de testemunha de leitura e teve que dar ciente em todas as vias, inclusive nas notas de culpa e ciência.
Questionaram a mim como ele comeria e tomaria banho, sem poder usar os braços e eu disse que o responsável por informar sobre aquilo era o delegado (com o seu jeito sempre “polido” - pra não dizer outra coisa - quando trata-se de falar com pessoas, ela nunca mais faria pergunta alguma para meu chefe ou para mim).
Dei risadas também quando o rapazinho disse que estava arrependido, pedindo para ser liberado. Ele falou tanto, mas tanto na minha cabeça que juro que quase lhe quebrei outras partes do corpo para dar sossego de uma vez.
Teria sido mais cômico se não fosse tão trágico. Ao menos o criminoso foi punido de maneira justa, ainda que não prevista nos costumes legais. Tomara que ele tenha aprendido a lição.
E quem sabe daqui pra frente pense melhor quando for tentar o seu próximo crime?
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
A descoberta de uma grande farsa
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Pedido de Exoneração - Parte I
Em virtude de fatos recentes e também alguns antigos, tenho pensado mais do que devia a respeito desse título.
Quem lê o meu blog, sabe como eu sou: reclamão, pessimista, realista... e já deve ter notado mais uma porção de coisas. Sabe a sensação de que você não tem vocação para aquilo? É o que eu tenho sentido com a polícia com mais freqüência ultimamente.
Antes de tudo, quero deixar claro que não é bom pensar assim, por imaginar como seria começar tudo de novo, ficar desempregado, correr riscos e voltar para a iniciativa privada ou estudar até morrer para outro concurso, etc.
Só queria acordar todos os dias e querer ouvir histórias novas, defender a sociedade, pensar que nunca serei mandado embora, que emendamos todos os feriados prolongados, que tenho passe livre no cinema e nas festas, baladas... Mas, acredite se quiser, isto não tem sido suficiente para me manter motivado. Parece mesmo é que tudo está cinzento e sem graça; que o salário é ruim, que estou com problemas de saúde, que quando não estou de folga, trabalho feito um escravo e que ir nas festas pode me dar problemas, presenciar coisas e ter que agir quando eu queria mesmo era me divertir, entende?
Vivo apreensivo por causa da impunidade e de pensar que bandido pode me abordar na rua, e descobrir que sou polícia, e por causa disto eu sofra as conseqüências. Trabalhar numa cidade que não conheço (e nem quero) conhecer ninguém, longe da família, dos amigos, do que me deixava feliz, por causa de um dinheiro que mal dá para pagar as despesas básicas?
Desculpa o desabafo, mas é que realmente não dá para ficar inerte quando penso nisto tudo, nos plantões que duram semanas, nas cobranças, na hierarquia e disciplina e vaidade dos superiores, do excesso de serviço e da responsabilidade (e pressão) que existe se você cometer algum erro por menor que ele seja.
Quando me submeti a provas e exames para ingressar na carreira pública, assim como todos os demais que prestam concurso, pensei que fosse ter um pouco de tranqüilidade e que fosse alcançar o tão sonhado emprego estável. Ledo engano caros leitores, ao menos na polícia.
Porque de que adianta ter vantagens se tenho que ficar inerte, se todo dia é uma repetição e a demanda de serviço é cada vez maior? Se os órgãos superiores da instituição são inacessíveis e seus resultados dependem de contatos, influências, e as coisas acontecem fora do que está previsto nas regras de procedimentos.
Outro problema é: Pra que serve o título de funcionário público, quando você é tão público, ao ponto de perder sua vida privada e ter que sujeitar a ficar vinte e quatro horas do dia à disposição do trabalho? Ter seu comportamento analisado e questionado pela sociedade? Por ter sempre que dar exemplo?
Outro ponto negativo é que o salário não acompanha os reajustes do mercado. Se nada mudar, serei promovido apenas daqui a cinco, talvez dez anos! Ao contrário da prometida estabilidade e realização, o que sinto é coação, incerteza, insatisfação.
Não existem punições para o desacato social, para aqueles que ofedem a sua dignidade e sobretudo não dão a devida importância e reconhecimento ao seu trabalho.
No que tange a chefia, o que tenho a dizer é que ainda não tive o privilegio de conhecer algum que não fosse vaidoso, ou ranzinza, ou ainda que tivesse a coragem de me fitar diretamente nos olhos.
Questione as jornadas de trabalho e será punido ou ameaçado por indisciplina.
Exponha seus problemas e então, será considerado inapto ou fraco no trabalho.
Mostre suas dores e as suas dificuldades para acabar caindo em uma sindicância ou processo administrativo.
Isto sem contar a corrupção, as irregularidades, as falcatruas que finjo não ver, ouvir ou querer falar a respeito.
Não há como remar contra toda a água que já contaminou o mundo, a humanidade e a cabeça daqueles que poderiam fazer alguma coisa, rever as leis, procedimentos e condutas. Simplesmente não existem soluções para este tipo de problema.
Volto à questão da exoneração e penso cada vez mais em tirar meu time de campo. Talvez não seja honesto da minha parte para com o sistema continuar em frente, mas tenho certeza que seria menos penoso e menos dolorido para mim se conseguisse fingir que nada disto é verdade e que eu agüento ficar nisto por mais muitos anos, décadas até me aposentar...
Ainda não posso dizer minha resposta ou o veredicto final, porém cada dia mais estou tentado a largar tudo isto e renascer. Sento, penso, reflito, desanimo e então quase desisto. Percebo que estou me tornando um hipócrita.
E enquanto a resposta não chega ou um milagre acontece, resta a mim apenas continuar a seguir em frente, sem titubear.
Esta história ainda não acabou, ela vai continuar.
domingo, 27 de dezembro de 2009
Indulto... de Natal?
Para entender a postagem de hj, vc sabe o que venha a ser indulto?
Bom, se não sabe, leia a explicação abaixo:
O governo publicou no último dia 23 as normas para concessão do indulto natalino, ou seja, o perdão definitivo total ou parcial da pena de um condenado. Assinado pelo presidente, o decreto deste ano estende o indulto aos presos por medida de segurança, como os que cumprem de pena em hospital de custódia, aos condenados por tráfico de drogas, desde que não integrem o crime organizado, e aos que têm pena de multa cumulativa à privação da liberdade.
O indulto continua valendo para presos com pena inferior a oito anos e que tenham cumprido metade ou um terço até o dia 25 de dezembro de 2008, sem reincidência. Os condenados com 60 anos de idade e metade ou um terço da pena cumprida também terão direito ao perdão, mesmo com mais de oito anos de condenação.
Mulheres que tenham filhos com deficiência mental ou física ou menores de 16 anos e os presos paraplégicos, tetraplégicos, cegos e com doença grave também estão entre os beneficiados. Estão de fora os condenados por crimes de tortura, terrorismo, tráfico de drogas e hediondos.
O perdão é concedido pelo presidente da República, seguindo recomendações do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, ligado ao Ministério da Justiça. O decreto do indulto foi publicado no Diário Oficial da União.
O indulto é diferente da saída temporária, quando os detentos saem da prisão para passar o Natal e o Ano Novo com a família, porém depois precisam voltar para o presídio.
Pois bem, feitos os devidos esclarecimentos, entre um APFD aqui, uma oitiva de CNH falsa ali e uma Maria da Penha não representada, surgiu na nossa Depol um conduzido com a tal carta de indulto, mencionada pelo dispositivo acima.
Era um latrocida/estelionatário com pena de vinte e cinco anos de prisão que havia cumprido nove anos (mais de um terço da pena) e que ganhou o benfício concedido pela justiça.
Certo, até aí tudo bem... Mas por qual motivo um sujeito bondoso e preparado para retornar a sociedade estaria sentado na minha sala, dentro de uma delegacia, eu me pergunto.
Ora ora... Não seria por outro motivo senão envolvimento com mais crime!
Ele foi acusado de traficar nas mediações de um bar local, sendo apreendido em seu poder algumas gramas de coca(que não era coca-cola, mas sim cocaína), maconha e CRACK.
o dito cujo negou tudo óbvio, e ainda teve o argumento de perseguição porque era presidiário e que já tinha sido marcado pela polícia (e qual outro preso legal como ele não teria o mesmo argumento?).
Além de uma tremenda lábia, o sujeito deve ter se pós-graduado em criminologia dentro da cadeia, já que sabia todos os artigos e penas de cór, afirmando a mim que só falaria sobre o crime na presença do Juiz.
Atendi com muito prazer ao seu pedido, mas fiz questão de constar uma série de perguntas que tiveram como resposta: IRÁ DECLARAR SOMENTE EM JUIZO.
Ao final, o audacioso ainda me disse: Esse país é uma merda... amanhã estarei livre e volto pra rua para provar que não existe justiça e sim, dinheiro!
Aplicando algumas medidas não previstas no manual de DH, ele foi conduzido por outros policiais até o presídio e eu matutei: Até que ele não está assim, tão errado não...
Porque se tiver um bom advogado e inventar uma boa história, quem sabe ele realmente não consiga sair de lá no dia seguinte? Eu é que não duvido! Já vi tanta coisa acontecer nesta profissão que as vezes tenho medo até de comentar...
Fato é que a justiça brasileira insiste em adotar medidas que não condizem em nada com nossa realidade. Se a pena era de 25 anos, então porque raios criar medidas para que ele saia antes ao inves de tentar mantê-lo preso ou aumentar a pena? Onde essa bondade leva nosso país e a sociedade? Pra que existem leis e normas se elas mesmas se revogam o tempo inteiro? São ineficientes? Sem aplicação? Onde queremos chegar com tudo isto?
Será que alguém consegue responder alguma das minhas perguntas de maneira satisfatória?
Eu penso que a única justificativa seja por causa dos altos custos com presos ou pelo fato das celas estarem superlotadas... E me sinto indignado por estar na sociedade (e não por ser um policial) de um país que age desta forma.
A reflexão, ainda que tardia, precisa começar e alguém vai ter que enxergar essa bagunça e fazer alguma coisa! Não é possível que continuemos mais um ano assim...
Mesmo sabendo que por mais que eu queira pensar, agir e escrever coisas diferentes, não vai ser preciso que chege 2010 para ver e ouvir mais absurdos como este.
Estou seriamente pensando em desistir da polícia. Mas se pudesse mesmo, queria exonerar era do meu posto de cidadão.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Uma louca história envolvendo vudús
Se você é leitor freqüente do blog, quero me desculpar pela ausência. Na verdade, passei por mais uma fase tumultuada da vida e agora posso respirar um pouco mais tranqüilo.
Se não for leitor freqüente, boas vindas e boa leitura!
Pois bem, muito tempo sem escrever, histórias novas foram surgindo e neste mês de novembro, fiz um APFD que envolvia um caso bizarro de vudú ou macumba, se preferirem.
A história começa numa madrugada, onde o autor relatou que estava com uma vontade louca – e incontrolável – de tomar café. Ele disse que tentou levantar-se da cama, mas sua esposa lhe impediu, sendo que deu um soco no nariz dela. A mulher então reagiu e quando viu, os dois já estavam rolando no chão do quarto. E depois foram para a sala. E depois, ele deitou em cima dela e lhe segurou pelos cabelos, sendo que passou a bater a cabeça de sua amada contra o piso do chão. Ela entrou em desespero, momento em que o autor confessou (com detalhes) ter estrangulado ela até a morte.
Ao fim do relato, ele explicou que colocou uma coberta por cima da cabeça desfigurada e ensangüentada, sendo que a vontade de tomar café passou e eis que então o sujeito deitou na cama e voltou a dormir (como é que alguém consegue?). Um detalhe importante é que eles tinham vinte e dois anos de casados.
No dia seguinte, o filho do casal foi até a casa e entrou em desespero quando viu a situação, sendo que ao tentar acordar o pai, sofreu uma tentativa de homicídio também, mas conseguiu chamar a polícia, ser socorrido e passa bem.
Trata-se de um caso digno do programa do Datena, não?
Só que o pior ainda estava por vir. O assassino me disse que era um curandeiro e que desfazia trabalhos ruins. QUE rezava em cemitérios para almas que não conseguiam encontrar a luz. Ele relatou ainda que recebia espíritos com freqüência e, como se tudo isto não bastasse, narrou ter recebido um que mandou matar sua esposa e toda a família dela, sendo que apenas começou a atender ao pedido (imagina se todo mundo pudesse receber um espírito, qual vc gostaria de receber?).
Depois de algumas horas de interrogatório e quase um belo flagrante pronto, a PM trouxe uma caixa com diversos dos objetos utilizados pelo nosso ilustre “rezador”. Dentre velas pretas, bonecos de vudú, agulhas e caixões em miniaturas, haviam alguns inusitados pós, dentre eles:
- Amansa homi (ótimo para mulheres com problemas conjugais)
- Pó do sumiço (esse eu guardei um pouco pra poder usar nas sextas-feiras e vésperas de feriados... hehhehe)
- Chama dinheiro (bom... melhor nem comentar o que eu fiz com este!)
- Pó do emagrecimento (ai ai...)
Dentre outros....
Mais engraçado é que ele não tinha nenhum antecedente criminal e era funcionário público. E quando eu perguntei se estava arrependido, respondeu que NÃO, e que queria muito terminar de atender o pedido do espírito, apagando o resto da família.
Portanto, está aí a prova que para matar alguém hoje em dia não é necessário muita coisa. Se ficou assustado, precisa ler mais notícias sobre o que acontece no seu país; se não, bem vindo ao mundo banalizado.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Dicas para trabalhar menos nos feriados prolongados
DECLARAÇÃO DE PROPRIEDADE
Eu,_____________________________, filho de ___________________________e_____________________ nascido aos ___/___/_____, documento no __________________, natural de _____________/___, com endereço _______________________________________, nº ____ / ____________________ em ____________/_____ e telefone: (___) ________-________ compareço nesta Delegacia da Comarca de "NOME DA CIDADE" e declaro, para os devidos fins e sob pena de responder com as conseqüências caso isto não seja verdade, que sou o legítimo proprietário de: _____________________________________________________________________________________. material que foi apreendido nesta delegacia conforme os termos do Boletim de Ocorrência no_________/____, na data de ___/___/_____. Declaro ainda que o(s) objetos (s) acima citados tem o valor total aproximado avaliado em: R$ ___________ reais. Por ser verdade, abaixo assino junto com as testemunhas.
DECLARANTE:________________________________
TESTEMUNHA: _______________________________
Documento no: _____________, telefone: (___) ________-________ com Endereço ________________________, nº ____ / _________________ em ____________/_____
TESTEMUNHA: _______________________________
Documento no: _____________, telefone: (___) ________-________ com Endereço ____________________________, nº ____ / _________________ em ____________/_____
Voltei pra casa e pude descançar...
Sugiro a todos que adotem essa declaração, que pode ser também usada no dia-a-dia, quando vítimas tem objetos apreendidos, mas não possuem documentos para comprovar sua propriedade.
Ta ae. Fica a dica!
;)
